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12 de Novembro 18:30 Fátima Baptista
Bio Região
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Idanha-a-Nova a primeira Bio Região Portuguesa.

Há anos que vivo incrédula com a falta de visão e iniciativa para transformar riqueza natural nacional, como o solo disponível, energias renováveis, agricultura livre de agro tóxicos e farmacologia biológica, em empregos e riqueza para um país que todos sabemos não ser rico. Seria um bem para nós e para o mundo!

Como em Portugal estivemos muitos anos sem cultivar uma boa parcela da terra disponível, a receber subsídios europeus para não o fazermos, muitos terrenos foram beneficiando com o facto de não estarem poluídos com adubos e outros produtos nocivos. A par disto as energias renováveis que temos de uma forma naturalmente generosa desenham um quadro positivo que deveria ser explorado. Pareceu-me sempre óbvio que Portugal poderíamos ser um país pioneiro na exploração das economias do futuro.

Em primeira análise, estaríamos a preparar o nosso futuro e autonomia em termos de recursos energéticos. Os combustíveis fósseis estão a acabar, as jazidas de petróleo são de quantidade e exploração limitadas a curto prazo. É também desejável que este tipo de energia acabe mesmo devido ao aquecimento global do planeta e às consequências já sentidas, decorrentes da enorme pegada de carbono associada ao seu uso e que coloca sobre a mesa a discussão em torno da sobrevivência da raça humana: catástrofes, temperaturas do ar mais altas que a média habitual, falta de água e alimentos, migrações de populações, poluição do ar, aumento do nível do mar e muitos outros problemas que começam a marcar dramaticamente a época em que vivemos.

Sem sombra de dúvida Portugal tem condições naturais para especializar-se em agricultura orgânica, produção de plantas para a indústria farmacêutica natural e produzir energia verde com base na luz solar, vento e marés.

Mudar hábitos e mentalidades, fazer um plano, passar à ação, formar os agricultores e as empresas e colocar as ideias na prática e nos terrenos depende exclusivamente da vontade politica. Mas a atitude e a vontade dos cidadãos pode ser o catalizador para esta revolução.

E foi com alegria que me deparei com a recente notícia que Idanha-a-Nova assumiu ser um concelho com agricultura 100% biológica. Grande exemplo de Armindo Jacinto, Presidente da Câmara que tem apostado tudo na economia verde.

Idanha-a-Nova foi o primeiro município português a integrar a Rede Internacional Bio Regiões. Tinha já acolhido outras experiências dentro destas áreas nomeadamente o projeto “Monsanto Verde” com 40 moradias ecológicas integradas em pleno Geopark Naturtejo da Unesco e que visa integrar todas as componentes do desenvolvimento sustentável, nomeadamente a economia colaborativa, funcional, social, circular e ecológica.

Agora assume-se como um concelho 100% biológico, um exemplo prático para todo o território nacional, mostrando que este tipo de desenvolvimento é possível.
A Dinamarca foi o primeiro país a tornar-se 100% Bio. Portugal poderia ser o segundo e liderar o mundo para um futuro anunciado e inevitável, o futuro de uma natureza sustentada numa economia sustentável com respeito por todos os organismos vivos do planeta Terra. Let’s do it.

Fátima Baptista (Jornalista e Blogger)